Personal tools

Tema: Rodovias na Amazônia?


" Plano de Integração Sul-Americana ameça Amazônia, diz ONG." A Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), o ambicioso programa para desenvolver e conectar economias da América do Sul através de projetos de transporte, energia e telecomunicações, poderia causar a destruição da Amazônia em até 40 anos, alerta um relatório da ONG Conservação Internacional."

Notícia

"A Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), o ambicioso programa para desenvolver e conectar economias da América do Sul através de projetos de transporte, energia e telecomunicações, poderia causar a destruição da Amazônia em até 40 anos, alerta um relatório da ONG Conservação Internacional.

O relatório, intitulado Uma tempestade perfeita na Selva Amazônica: Desenvolvimento e Conservação no contexto da IIRSA, alerta que caso os impactos ambientais do programa não sejam avaliados devidamente, a humanidade poderá testemunhar "os piores cenários, como o desmatamento generalizado e o eventual desaparecimento da floresta amazônica em três ou quatro décadas".

A IIRSA, criada em uma reunião de cúpula de presidentes da América do Sul em 2000 e financiada com recursos do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, da CAF - Corporação Andina de Fomento e do BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento, reúne 12 países e prevê investimentos para integrar malhas rodoviárias, hidrovias, represas de usinas hidrelétricas e redes de telecomunicações em todo o continente.

Segundo o autor do relatório da Conservação Internacional, Tim Killeen, que trabalhou na região amazônica durante 25 anos, "a falta de percepção do pleno impacto dos investimentos da IIRSA, especialmente no contexto da mudança climática e de mercados globais, poderá produzir uma tempestade perfeita de destruição ambiental".

"A maior área floresta tropical do planeta e os múltiplos benefícios que ela proporciona estão em xeque", afirma.

O corte e a queimada da floresta poderiam prejudicar seriamente a selva amazônica, que regula o clima continental produzindo a precipitação que irriga "a multibilionária indústria agrícola do rio da Prata".

Créditos de carbono -  A destruição da Amazônia também poderia aniquilar vários ecossistemas e formas de vida terrestre e aquática e acelerar o aquecimento global através da liberação de toneladas de carbono na atmosfera.

O estudo aponta, todavia, que este cenário pode ser evitado se forem tomadas medidas para conciliar as expectativas de desenvolvimento com a necessidade de conservar o ecossistema amazônico.

O cientista sugere que os cultivos para biocombustíveis, tais como a cana-de-açúcar, poderão ser plantados "nos 65 milhões de hectares de terras já desflorestadas, ao invés de causarem a destruição de mais florestas para novas plantações".

"Uma iniciativa visionária como a IIRSA deveria ser visionária em todas as suas dimensões, e incorporar medidas que garantam que os recursos naturais renováveis da região sejam conservados e suas comunidades tradicionais sejam fortalecidas," escreveu Killeen.

O pesquisador ainda observa que a floresta amazônica intacta poderá gerar bilhões de dólares em créditos de carbono no sistema de mercado que está sendo negociado em sucessão ao Protocolo de Kyoto. (Estadão Online 03/10/2007)

COMENTÁRIOS

“A característica básica da infra-estrutura rodoviária é de ser aberta ao uso, isto é, permitir a entrada de veículos em qualquer ponto da estrada ou rodovia e a conseqüente construção de vias alimentadoras. Ao contrário, nas chamadas vias expressas a construção de pontos de entrada e saída, bem como o acesso ao longo da delas, são rigidamente controlados. Como a maioria das vias expressas são operadas sob a forma de concessão, cujos interesses financeiros coincidem com esse controle estrito, os abusos são evitados. Pode-se imaginar o que acontecerá com as estradas e rodovias chamadas de integração que cortarão a selva amazônica, e cujo tráfego reduzido prevalecerá por muito tempo: o controle de entradas e saídas, bem como a conseqüente construção de vias de acesso serão impraticáveis. A solução menos danosa seria fazer a integração por meio do uso dos rios e de canais artificiais a serem construídos. Esse sistema, obviamente, aplicar-se-ia nas planícies. Ainda assim, haveria necessidade de estrito controle de acessos face à tendência de surgirem vias de penetração a partir do rio para dentro da floresta”.
Eduardo José Daros - daros@transporte.org.br